Um tesouro do rock nacional só agora descoberto. O Fantástico revela cenas inéditas da intimidade de uma das maiores bandas brasileiras: a Legião Urbana. São imagens dos bastidores da gravação do último disco do grupo, seis meses antes da morte de Renato Russo.
Intenso, impulsivo, genial. Ou, em uma palavra: mito. O vozeirão, todos conhecem. Mas um Renato Russo ninguém nunca viu. São cenas inéditas e desmentem a imagem de poeta atormentado. Um roqueiro brincalhão faz troça dos fortões, rola no chão e saltita, imitando um bailarino.
“Essa é a imagem que as pessoas não conhecem muito do Renato. Ele é o cara mais engraçado que eu conheço. Na verdade, o cara era tudo em um só”, define o baterista do Legião Urbana, Marcelo Bonfá.
A gravação foi feita com câmera amadora ao longo dos anos pelo baterista Marcelo Bonfá e pela mulher dele. E é um dos poucos registros dos bastidores do conjunto que mudou a história do rock brasileiro.
Ao sair de Brasília para tocar pelo país afora, o grupo não parou mais. No vídeo ao lado, você vê, em primeira mão, vários momentos da rotina da banda – antes, durante e depois dos shows, entre 1987 e 1996. Catorze anos depois da morte de Renato Russo, o Fantástico leva você a uma turnê pela intimidade da Legião Urbana.
Uma vida cigana: aeroporto, avião, estrada. Em cada parada, o martírio da passagem de som, a exigência impossível da perfeição.
“O Renato era quase um Tim Maia, reclamava muito do som”, conta o guitarrista do Legião Urbana, Dado Villa Lobos. “A gente tocava em lugares e situações acústicas extremas e bem difíceis, ginásios que não eram preparados para isso. Então, era sempre uma grande confusão”.
O vídeo revela um momento de tensão no camarim. Os músicos da banda de apoio brincam. Renato, às vezes senta, quieto. Às vezes, zanza de um lado a outro. Ao pisar no palco, podia fazer um afago carinhoso ou dar uma bronca colossal.
Fosse a ternura acústica de uma canção de amor ou a ferocidade elétrica de uma música de protesto, era sempre a voz da juventude que olhava para o palco como se visse a si própria. Sempre que podia, Renato dava seus recados.
“Fascistas são pessoas que não deixam vocês pensarem do jeito que vocês querem”, alertou. “Cuidado com esse povo que fala em nome de Deus e quer seu dinheiro. Jesus não cobra ingresso, a Legião cobra”, ironizou.
Nos intervalos, Bonfá, Dado e os músicos da banda de apoio procuravam se divertir.
Bonfá aparece em um vídeo jogando bola e faz um gol-contra lá, digno de Bola Murcha do Fantástico.
“A gente se divertia realmente. E o Renato ficava enfurnado dentro de um quarto de hotel ficando verde”, lembra o guitarrista.
“A gente se desdobrava com esses horários, porque se tinha passagem de som à tarde, sobrava a manhã”, recorda o baterista.
Já era a consequência da bebida e da dependência química. Renato já sabia que tinha Aids e passava boa parte do tempo deprimido.
“Nesse dia eu me lembro de ele estar no café da manhã debaixo da mesa. Enquanto a gente estava sentado, ele estava debaixo da mesa”, conta Bonfá.
Mas havia dias de tranquilidade. Como um à beira da piscina. E, sempre que havia música, era Renato e seu momento, nem sempre preso ao repertório do papel.
“Tinham músicas que abriam esse espaço para o Renato improvisar e colocar o repertório dele”, diz Dado.
“Ás vezes nem abria espaço. Ele entrava com as músicas fora do tom”, acrescenta Bonfá.
Em outro trecho, Renato canta uma versão em inglês e nunca gravada da música “Dezesseis”. Nem Dado nem Bonfá se lembravam dela.
“Eu não me lembro dessa versão em inglês. Eu sei que tinha essa de ‘Flores do mal’ que algum gênio apagou. Aí, foi embora a voz em inglês”, conta Dado.
Renato aparece muito magro, em abril de 1996, na gravação do disco “Tempestade”, menos de seis meses antes de morrer.
“O teor do disco é muito triste - as letras, a música. Muito triste, muito difícil de ouvir, muito difícil de fazer aquele disco”, revela Dado. “Uma das coisas mais tristes é a voz do Renato debilitada e registrada daquele jeito. O Renato sendo um grande canto que sempre foi, um grande cantor, um grande intérprete. O ano de 1996 foi complicadíssimo, foi esquisito. Ele estava muito compulsivo em querer produzir, escrever e registrar o que ele estava vivendo”.
“Quando ele apareceu, já foi um choque, porque eu não o via havia uns três meses”, conta Bonfá.
“Dona Penha faz um caldinho tão bom para mim. É bom, porque eu ainda estou tendo problema para digerir as coisas. Estomatite, esofagite, tudo que é ‘ite’ eu tenho”, disse Renato Russo.
Dona Penha de quem Renato fala é Maria da Penha Silva, que trabalhava como cozinheira do estúdio de gravação e se encantou com o astro que a tirava para dançar.
“Eu achava o maior barato aquele jeitão dele. Eu me amarrava naquilo”, conta a cozinheira.
Nos dias de gravação, Renato só tomava o caldo verde que ela fazia. Dona Penha lembra que o músico pedia para que ela deixasse o caldo verde pronto todo dia. “Aí, eu deixava pronto. Entre 10h e 10h30, ele já chegava à cantina cantando para mim”, conta.
Dona Penha não sabia da doença. A morte dele foi uma grande surpresa. “Quando deram a notícia, eu fiquei muito chocada. O estúdio parou naquele dia. Foi triste”, lamenta.
Nem o produtor musical Carlos Trilha, tecladista da banda de apoio, sabia. Já doente, Renato não ia mais ao estúdio e ligava de madrugada para reclamar da equipe.
“Achava que era um estrelismo dele. Então, eu não ficava muito feliz com os telefonemas dele àquela hora, até o dia em que eu não aguentei e disse: ‘Muito bem, sua majestade Renato Russo, fica em casa ouvindo as gravações e reclamando da gente que fica lá o dia inteiro trabalhando’. Aí, ele disse: ‘Eu estou doente’", conta Carlos Trilha.
Até o fim, Renato procurou orientar a gravação e o trabalho dos músicos.
“Eu nunca vou me esquecer disso: ‘Método, Carlos Trilha, método’”, conta o produtor musical.
“Ele era um cara que sempre puxava as pessoas para cima. Chacoalhava você e falava: ‘Vai fazer! Produz! Vamos lá, todo mundo junto!’”, lembra Dado.
Como explicar a adoração quase religiosa dos fãs? O artista que só via multidões diante de si cantava como se olhasse no olho de cada um. Talvez seja uma das pistas para a inexplicável facilidade de emocionar.
“Ele poderia cantar ‘Parabéns pra você’ e fazer você chorar no final. Ele tinha esse poder, não sei como se poderia chamar, esse carisma, essa aura incrível. Era um cara muito sensível, com muitas ideias na cabeça e muita vontade de fazer e realizar tudo o que ele sonhava e pensava. Eu acho que ele conseguiu cumprir muitos desses sonhos”, finaliza Dado.
domingo, 21 de novembro de 2010
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
14 anos sem o grande poeta

Hoje comemoramos 14 anos sem o nosso icone, poeta, cantor, músico, e grande porta voz da juventude desde de a década de 80 até hoje.
E parece que a cada ano só se renovam os legionários.
Renato Russo dizia para a familia que teria a melhor banda de rock do Brasil. Alguém discorda?
Eu tenho 19 anos. Tinha apenas 5 quando o cantor da Legião Urbana morreu. Portanto, concluimos que eu nem fazia ideia de quem era ele.
Mal sabia eu, que o país havia perdido um homem culto, que gostava de conversas interessantes, curtia punk, era sensível, escrevia canções que nunca se perderiam com o tempo, aliás, que são utilizadas até hoje (eu tive um professor na faculdade que levou uma música dele para a sala de aula!), que amava muito, e de tanto amar, sofria, sofria e sofria, e escrevia, escrevia e escrevia. Falava do mundo, das coisas, dos amigos, do amor.
Renato falava sempre em seus shows que a Legião Urbana somos nós, os fãs. Portanto, é dever nosso manter ele sempre vivo, dentro de cada um de nós.
Força Sempre.
Foto: http://www.legiaourbana.com.br
Vídeo: acervo pessoal
sábado, 1 de maio de 2010
Os nerds também amam Legião Urbana

Um amigo meu me passou o link de um blog, que tinha essa homenagem ao nosso querido poeta.
Se quiserem saber qual o nome do blog, só deixa comentário aqui!
Força Sempre!
______
Este Blog tem o apoio de http://www.forçasempre.com.br
sábado, 27 de março de 2010
Cinquentenário de Renato Russo

Há 50 anos atrás nascia o mito. O que ninguém imaginava é que Renato Manfredini Júnior, alcançaria tamanho sucesso.
Na verdade, quem conhece o nosso Renato Russo, sabe que ele é um gênio nato. E que sem ele, não existiria boa parte da história do rock nacional oitentista.
Ao olharmos diretamente nos olhos do nosso poeta, podemos ver ali, que existia uma alma sincera, inquieta e altamente talentosa.
Os bons morrem jovens, como diz uma música de autoria do próprio Renato. E poderíamos talvez dizer sobre sua morte, que ainda é cedo. Era cedo demais para ficarmos sem nosso grande roqueiro.
O que nos basta fazer, é não deixar que a poesia e a música do lider da maior banda de rock do Brasil, morra. Devemos sempre lembrarmos do quanto Renato acreditava nos sonhos e acima de tudo, acreditava nas pessoas. Então, o que te desejo, é um grande Força Sempre.
E lembre-se Legio Urbano omnia vincit!
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Renato Russo - O Filho da Revolução

Galera! Seguinte, o ano tá se indo e uma boa indicação pras suas férias, é curtir o livro novo sobre Renato Russo.
Muito além de uma biografia, o livro nos traz a situação política e social do país desde 1960, o ano de nascimento de Renato Manfredini Junior e inauguração de Brasília.
Estou lendo e já posso dizer que o livro é sensacional. E traz informações além das contidas em outros livros, como Renato Russo - O Trovador Solitário.
Abraços! E um ótimo 2010!
Omnia Vincit!
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Como é que se diz eu te amo?
Galera, pra quem tiver oportunidade de conseguir o áudio do show realizado em 1994, no Rio de Janeiro, da banda, faça-o. O Show é simplesmente encantador.
Renato Russo está como uma criança no vocal. Faz brincadeiras e apresenta-se com um bom humor maravilhoso. Sem contar as músicas, que estão ótimas realmente!
Então, Legionários, escutem, por favor. E sintam-se como se o Renato falasse pra vocês assim como eu sinto.
Força Sempre
Renato Russo está como uma criança no vocal. Faz brincadeiras e apresenta-se com um bom humor maravilhoso. Sem contar as músicas, que estão ótimas realmente!
Então, Legionários, escutem, por favor. E sintam-se como se o Renato falasse pra vocês assim como eu sinto.
Força Sempre
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